sábado/27 de outubro - 2012
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Sent: Wednesday, October 24, 2012
Subject: TROPICALISMO, TEXTO E CONTEXTO
Newsletter de outubro de 2012 Ana González
TROPICALISMO, TEXTO E CONTEXTO
O documentário Tropicália que abriu o Festival É Tudo Verdade (março de 2012) revê o tropicalismo e suas características. Vale a pena ser visto. Esta pode não ser a sua história, mas é parte importante da cultura brasileira. É como um texto que se coloca em um contexto maior bem interessante. Acompanhe-me.
Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
PANIS ET CIRCENSES, OS MUTANTES
A perspectiva histórica nos ajuda a compreender a relevância (ou irrelevância) dos fatos, mesmo sabendo que poderemos nos equivocar pela precariedade de nossos recursos para discriminar o que possa ser a verdade. A limita
ção estará sempre presente nas interpretações históricas. Talvez por isso, este documentário me fez tanto bem. Trata-se de uma análise cuidadosa, coerente e bonita. Sem exageros.
O documentário de Marcelo Machado nos diz os motivos da importância do tropicalismo que ficou e deu frutos. Não dá para saber o que vai ficar e o que se vai no esquecimento coletivo. É aposta perigosa. Por que então ele ficou?
O filme mostra o que ocorreu nos anos finais da década de 60, especialmente entre 1967 e 1969: a força que o movimento cultural teve naquela época, sua produção, personagens, suas origens e precursores. Mostra a revelação de Caetano Veloso e Gilberto Gil, de Raul Seixas e os Mutantes, o maestro Júlio Medaglia. E a interrupção de tudo isso com a ditadura militar.
Sem didatismo, o filme indica como essa revolução musical misturou o som nordestino e o das guitarras elétricas dos Beatles. Ela está relacionada com o Cinema Novo de Glauber Rocha, com o teatro de José Celso Martinez Corrêa e suas montagens irreverentes, com a pintura de Hélio Oiticica. Este artista foi o primeiro a utilizar a palavra "Tropicália", que está na canção de Caetano, uma espécie de manifesto musical dessa época. Era o tempo da "MPB", com Chico Buarque e Elis Regina e da jovem guarda. Não, não havia rixa entre os tropicalistas e a jovem guarda.
Porém as modificações dessa época não se restringiram ao tropicalismo musical. A revolução sexual e o feminismo deitaram efeitos
o que conduziu a uma diluição da noção de pecado. Houve acontecimentos políticos e mudanças de comportamento que indicavam uma busca por liberdade política e também por libertação de dogmas e preconceitos. Efervescência criativa e agitação nos padrões.
Tais aspectos permitem uma aproximação com a época contemporânea. O mundo diminuiu de tamanho com a globalização tecnológica e as mobilizações políticas e/ou econômicas de hoje em dia ocorrem em uma dimensão de rede. Há ainda uma transformação de que ainda não sabemos as consequências nos comportamentos sociais. Ou seja, a experimentação é menos ingênua do que naquela época, mas repete-se o ciclo: o novo pede espaço. A roda da história não para e o mundo continua a apresentar conflitos entre as gerações nas várias áreas.
Podemos observar tais acontecimentos pela ótica dos símbolos astrológicos que apresentam semelhanças nas duas épocas. Dois gigantes brigam no céu e os sinais desse embate aparecem nos eventos à nossa volta. Um deles, Plutão, senhor mitológico dos infernos promove distúrbios nas ordens de poder estabelecidas. Urano deseja instaurar a velocidade e a nova consciência a qualquer custo. Eles ajudam na promoção da luta entre o velho e o novo cada um à sua maneira. São deuses em fúria. Em 1968, ano emblemático de uma geração e de uma época, havia a ditadura e as revoluções sexual e feminista explodiam a velha ordem. Hoje em dia, em meio a inquietações de toda ordem pede-se mais ética e respeito nos comportament os sociais. Temos primaveras orientais, torvelinhos econômicos e desafios para os relacionamentos.
Nas duas fases, temos tais deuses em ação brigando por construir outra fase da história com dor e luta. O que muda são os personagens e os acontecimentos. Hippies, homossexuais, políticos e nós, pessoas comuns, todos estamos no meio do fogo: quebra de autoridade e de critérios, iconoclastia e paradoxos para nossa observação.
Assistir ao filme Tropicália pode ser motivo de saudade e até de perplexidade, quem sabe. Vale a reflexão comparativa. Os que viveram aquela época talvez tenham experimentado sensações parecidas com as que vivemos na atualidade, em que nos defrontamos com muitos problemas sem respostas. Efervescências e inquietações, turbulências.
Vale nos lembrarmos da epígrafe deste texto, uma estrofe da canção de Os Mutantes, e observar nossa postura perante tudo o que o contexto maior nos apresenta. Para que estaríamos sentados à mesa da sala de jantar? Por que quintais correm nossos tigres e leões? Para onde apontam nossas velas?
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Paul McCartney divulga
canção de Natal
The Christmas Song
(ouça; apenas uma amostra)
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volto logo mais com +dicas;
espero você!
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